sexta-feira, 27 de julho de 2018

Agente de Saúde tem fotos íntimas vazadas pelo WhatsApp, após vender o celular. Jurídico da AASA/BA, é acionado e vai em defesa da colega e nossa filiada!

A Agente Comunitário de Saúde do Município de Simões Filho, Elismar Reis dos Santos, de 38 anos, teve fotos íntimas vazadas na internet depois de vender o aparelho celular em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Elismar, que além de ACS, é dona de uma loja de calçados no centro da cidade, reside no Bairro Ponto Parada e o fato vem causando vários transtornos para sua vida pessoal. O material acabou viralizando nas redes sociais e tem sido compartilhado em diversos grupos de WhatsApp.

Como as imagens vazaram na Internet?

A ACS contou que vendeu o celular para um rapaz que trabalha em uma loja próximo ao seu estabelecimento comercial no centro do município. Antes de passar o aparelho ao comprador, Elismar disse que apagou todas as fotos, mas acabou esquecendo de um detalhe: Mesmo deletando as imagens do seu celular, as fotos continuaram salvas na nuvem. Para quem não sabe, a nuvem é um serviço online onde você pode guardar seus arquivos por meio de um backup feito automaticamente pelo aparelho.

“Eu não sabia que o celular fazia o backup das fotos no gmail. Eu tinha muita confiança nesse rapaz que vendi o aparelho, porque um outro celular antigo que ele comprou em minha mão, ele criou o e-mail. Só que nesse último que vendi para ele, eu só apaguei as fotos do aparelho. E agora essas fotos que fiz foram espalhas na internet”, conta Eslimar, em entrevista exclusiva concedida ao Simões Filho Online.

Porque tirou as fotos nua?

Elismar explicou que recentemente realizou uma cirurgia de estética no abdome e participava de um grupo no Whatsapp composto somente por mulheres que haviam realizado o mesmo procedimento. Segundo ela, as fotos eram tiradas para compartilhar entre elas sem mostrar o rosto, e em seguida, eram apagadas do aparelho. Para ela, o backup do celular estava desativado. “Nunca postei foto desse tipo, principalmente mostrando o meu rosto. Nem para a pessoa que eu tenho um relacionamento, a pessoa com quem eu durmo, que conhece o meu corpo, nunca mandei esse tipo de foto para ele”, relata.

Algumas das fotos intimas de Elismar compartilhadas na Internet (Foto: Simões Filho Online)
Montagens

Depois que as imagens vazaram, ela conta que as pessoas estão se aproveitando da situação para fazer algumas montagens. “Estão pegando outras fotos de mulheres mostrando a genitália e colocando no meio das minhas imagens. Nunca tirei foto mostrando a genitália. É como eu disse, minhas fotos eram apenas para expor como ficou a cirurgia estética, sempre cortando o rosto em um grupo privado de mulheres”, ressalta.
Fotos de outras mulheres também estão sendo associadas a fotos intimas de Elismar
Vida ‘marcada’

A Agente acrescenta que teve a vida “marcada pelo crime na internet. “Eu vou ter que conviver com isso para o resto da minha vida”.

Como você se sentiu ao ser exposta dessa forma?

“Toda a minha família foi abalada por esse crime. Estou extremamente chocada, mexeu na minha vida profissional, sentimental, e financeira. Alem disso, tenho filho adolescente, tenho evitado sair de casa, atrapalha, inclusive, no meu comercio, pois tive que me afastar. Quem está tomando conta da loja é a minha irmã, que também tem sofrido constrangimento. Também estou com medo de perder meu emprego de enfermeira, pois também trabalho em um grande hospital de Salvador, além de ser empresária. É um constrangimento muito grande para mim”, lamenta a ACS.

Segundo ela, a maior parte das pessoas acha que pelo simples fato de eu ter sido exposta, que eu sou culpada. “Vi uma postagem em um grupo dizendo: ‘ela é descarada mesmo’. Eu não sou isso que estão falando”, declara.

Jurídico da AASA/BA, foi acionado para defender a colega que é nossa filiada.

Depois de toda o constrangimento passado, a colega Elismar, procurou o competentíssimo setor Jurídico da AASA/BA, para buscar seus direitos. A Secretária de Assuntos Jurídicos da AASA/BA, Sebastiana Ferreira comenta a situação: 

"O que aconteceu com a colega foi terrível! Primeiro parabenizo-a pela coragem de denunciar essas pessoas mal intencionada, colhemos todas as provas e iremos até as últimas instâncias para que os direitos sejam respeitados e as pessoas punidas cível e criminalmente". E continua:  "o setor jurídico da AASA/BA sempre estará de portas abertas para os seus filiados e nós estamos sempre a disposição para defender o trabalhador, não somente na seara trabalhista, mas onde haja a necessidade."

"Admiramos a coragem da colega Elismar em denunciar, para inibir esses tipos de práticas que só visam denegrir a mulher e consequentemente trazem prejuízos irreversíveis, para sua vida pessoal e profissional que a fragiliza e as fazem adoecerem. Esse tipo de prática é crime, tanto para quem colocou, quanto para aqueles que compartilhara. E nos grupos de WhatsApp, o(s) administrador(es) também poderá(ão) responder pelos seus crimes." Finaliza Sebastiana. 

A AASA/BA e o seu Corpo Jurídico acompanham a colega na Delegacia


Dr. Kaick Oliveira Advogado e Ivando Antunes, presidente da AASA/BA,
 acompanhando a ACS Elismar na Delegacia, dando o suporte jurídico.
A AASA/BA, juntamente com o Dr. Kaick Oliveira, advogado do Escritório JM Advogados Associados, acompanharam a colega na delegacia e vai ingressar também com ação na esfera cível contra todos os acusados.


Investigação do caso

De acordo com a colega, uma denúncia de crime cibernético com base na “Lei Carolina Dieckmann” já foi registrada na 22ª Delegacia Territorial de Simões Filho, e o fato já o foi comunicado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). A denuncia também será enviada a Polícia Federal.



O nome e o endereço do acusado apontando como principal suspeito do crime já foi passado para a policia, que deu iniciou as investigações. Administradores de grupo, bem como as pessoas que fizeram o compartilhamento das imagens também estão sendo investigadas. “Já temos prints de grupos e alem do rapaz que vendi o celular, outros dois homens que estão compartilhando e me difamando já foram identificados”.

Qual a punição para os acusados?

O Dr. Kaick, informou que divulgar fotos ou vídeos de conteúdo íntimo é crime, como descrevem os Artigos 139 (Difamação) e 140 (Injúria), ambos do Código Penal e responderão na vara cível para ingressar com ação de Danos Morais: "As pessoas envolvidas poderão ser condenadas a pagar indenizações para a vítima, devido ao prejuízo causado a vida da pessoa, que afeta profundamente relacionamentos pessoais e profissionais, pontua.

  Ainda segundo Oliveira, se ficar confirmado a invasão do celular da vítima,  o autor, incidirá a Lei 12.737/2012, conhecida como “Lei Carolina Dieckmann”, que trata sobre a invasão de qualquer dispositivo eletrônico, incluindo os computadores. 

Vale informar que quem compartilhou as imagens nas redes sociais, se tiver intenção de ofender a honra da vítima, também pode ser responsabilizado.
E se os Administradores do Grupo de WhatsApp, permitirem sem que intervenham, também poderão ser processados.

A AASA/BA, continua acompanhando a colega e torce para que a justiça seja feita, e que as mulheres sejam respeitadas, pois são as maiores vítimas!

0 comentários:

Postar um comentário